2008/01/02
  Murcof, Erik Truffaz e Talvin Singh Live@2006 Montreux Jazz Festival

O tema chama-se "Rios" do album "Remembranza" e este live act no Festival de Jazz de Montreux de 2006 tem Murcof nos ambientes sonoros e electrónica, Erik Truffaz no trompete e Talvin Singh nas tablas e raga!
Das melhores construções sonoras que ouvi até hoje!
Para ouvir e sentir... muito profundamente...

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2007/11/19
  Talvin Singh... Songs for the Inner World

Desde sempre que me sinto atraído pelas fusões entre tipos de sonoridades distintas, e uma das minhas grandes paixões sonoras é a fusão entre a música ocidental e a musica tradicional Indiana.

Um dos melhores exemplos da "arte de bem fazer fusão" é o ultimo trabalho de Talvin Singh, "Songs for the Inner World/Live at la Basilique, Saint Denis", e que também me faz relembrar o início da minha ligação à musica deste indiano.

Filho de indianos e nascido em Leytonstone (Inglaterra), Talvin Singh, inicia a sua educação musical clássica aos 5 anos, aprendendo tablas e passa o inicio da sua juventude a ouvir breakdance, electro e punk rock.
Aos 16 anos vai para a Índia de forma a aperfeiçoar a aprendizagem da musica tradicional Indiana (bhangra).

Quando regressa a Londres, em meados da década de 80, e apesar de ter completado a aprendizagem, rejeita o seu passado de formação clássica, funda o clube Anokha e cria uma fusão inovadora entre a musica bhangra, de raiz indiana, e a electrónica drum'n'bass.

Quando, no final da década de 90 fui "transplantado" para Lisboa, tive a felicidade de me cruzar com o seu primeiro album de originais "Ok", ficando agradavelmente surpreendido com a profunda ligação das excelentes sequências de batidas de drum'n'bass (a fazer lembrar o "mestre" Goldie) com os instrumentos e as vozes tradicionais indianas. Deste album destaco o tema "Butterfly", onde se pode ver toda a capacidade inovadora de Talvin Singh.

Durante este tempo andava também à procura de um tema drum'n'bass que passava muito na televisão, como suporte a um spot publicitário do primeiro gravador de CD's da Philips, e foi então que, numa destas procuras pelas lojas, descobri o primeiro trabalho de Talvin Singh, "Anokha: Soundz of the Asian Underground".

Este trabalho é uma compilação organizado por Talvin, onde são apresentados nomes emergentes da cena underground asiática Londrina e onde a musica tradicional indiana é misturada com drum'n'bass, breakbeats e electrónica. Aqui podemos encontrar, além de dois temas originais de Talvin, projectos como State of Bengal, Future Sound of India e Amar.
E, como cereja em cima do bolo, o tema de abertura, de Talvin Singh, "Jaan", era o tal tema do spot publicitário que eu tanto procurava... correu bem.

Em 2000, Talvin Sigh lança o seu segundo album de originais, o incompreendido "Ha".
Este album marca uma viragem na sua carreira, pois Talvin afasta-se de todas as suas influências iniciais e constroi este trabalho sozinho.
Para quem estava à espera dos ambientes eloquentes e melódicos de "Ok", recebeu um album narcisista, frio e de "des-cronstrução" dos standards da altura... um autêntico manifesto anti-mainstream!
Basta ouvir os 12 minutos do tema de abertura "One"...

Depois deste choque, para o mercado e não para os seus fans, Talvin Singh choca novamente o mainstream, voltando a assumir integralmente as suas raízes e lança, em parceria com Rakesh Chaurasia, "Vira", um trabalho de musica tradicional indiana onde são tocadas ragas, à boa maneira de Ravi Shankar.

Em 2003, Talvin é convidado pela organização do Festival de Saint-Denis (França) para participar no festival e preparar um concerto, que ficará imortalizado no seu ultimo trabalho "Songs for the Inner World/Live at la Basilique, Saint Denis".

E o que dizer deste trabalho?
É simplesmente fabuloso e, para mim, a musica do futuro... sem raças, sem credos, sem política.
Apenas musica!

"Only You", o tema de abertura, começa com uma "discussão" entre tablas e voz, bem ao jeito indiano, que vai gradualmente aumentando de intensidade, até atingir o climax com a introdução das influências ocidentais (programações e ambientes sonoros) sem nunca incomodarem a fluência dos instrumentos indianos.
Quando tudo parece novamente calmo recomeça novamente o turbilhão até tudo convergir num excelente solo de tablas e acabando, novamente, no diálogo tablas e voz.
No tema "21st Tabula", Talvin Singh apresenta uma solução para a musica do futuro: tablatronics (tablas + electronics), programações, ambientes digitais e muitos samples...
Mas, a experiencia de ouvir "Arternal" leva-nos a paisagens nunca antes visitadas... atinge-se o verdadeiro paraíso!
O tema arranca com cantos gregorianos, talvez influência do concerto ser na Basílica de Saint Denis, juntando-se logo depois um excelente breakbeat.
Para finalizar, o espaço restante é preenchido pelas sonoridades indianas.

Para Talvin Singh o futuro da musica é agora...

Discografia:
- "Anokha: Soundz of the Asian Underground" (1997)
- "Ok" (1998)
- "Talvin Remixsingh OK" (1999)
- "Ha" (2000)
- "Back to Mine" (2001)
- "Vira" (2002)
- "Songs for the Inner World/Live at la Basilique, Saint Denis" (2004)


Talvin Singh - "OK"


Talvin Singh - "Devotion"

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2007/10/01
  Material feat. Nils Petter Molvaer Live@Tokyo Jazz 2005

Decorria o ano de 1990 quando tive a sorte de ter acesso a uma compilação denominada "Trance Europe Express" onde pontificavam, entre outros, nomes como Orbital, Bandulu, System 7, CJ Bolland, Aphex Twin, The Orb, Moby, Barbarella e Sabres of Paradise.
Nesta compilação houve um projecto que me chamou a atenção, tratou-se de Material, liderado por Bill Laswell.
Durante estes anos tenho acompanhado de perto os lançamentos e as produções de Laswell e considero-o como sendo um dos maiores génios musicais dos ultimos anos... basta ouvir as reconstruções que fez do legado musical de Bob Marley e de Miles Davis.
Recentemente cruzei-me com o seu trabalho com o trompetista Nils Petter Molvaer, um trabalho que ouço quase todos os dias.
Aqui ficam três temas ao vivo no Festival de Jazz de Tóquio em 2005.

Material feat. Nils Petter Molvaer - "Black Lotus"


Material feat. Nils Petter Molvaer - "Mbamusso"


Material feat. Nils Petter Molvaer - "Jarabi Jeh"

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2007/01/18
  Gotan Project

Dentro de sensivelmente uma semana estarão em Portugal, para dois concertos nos Coliseus de Lisboa (dia 26) e do Porto (dia 27), um dos projectos mais interessantes da actualidade, os Gotan Project.
Para quem não conhece esta fabulosa fusão entre a musica electrónica e o tango aqui fica alguma informação sobre eles e três videos, relativos ao seu ultimo trabalho "Lunatico"...

November 2005, just minutes before the Gotan Project were due onstage at the Gran Rex theatre in central Buenos Aires, Argentina, band guitarist and native Argentine, Eduardo Makaroff, summed it all up in one key quote: "The lyrics of many of the famous tango songwriters would always talk about going back to this city, and so we're returning to the South and to the place that's in our hearts."

Seven months previous, Eduardo and fellow Gotan producers; Parisian Philippe Cohen Solal and Swiss-born Christoph H. Müller, had flown from their homes in Paris to record the new album, 'Lunatico', in Buenos Aires' prestigious Studio ION - the famed venue where tango greats like Astor Piazzolla had once laid down their aural magic to vast reel-to-reel tape machines.

Sat in on the sessions with them were a host of local session musicians; a complete string section, two emcees, one trombonist and Argentine piano legend and long-time Gotan collaborator, Gustavo Beytelmann, conducting much of the musical goings on.

Five years on from breaking new ground in tango and electronica with their debut, 'La Revancha Del Tango' - now having sold in excess of a million copies worldwide, and shows anywhere from Tel Aviv to Tokyo in between, the band now had the small matter of developing the longstanding love affair that the public had now embarked upon with tango to concentrate on.

"We really wanted to explore both tango and folkloric music from Argentina a lot further than we had before," says Philippe. "That's why many of the tracks are really classically tango-orientated, very traditional patterns that people like (Anibal) Troilo would use."

The resulting material from those sessions was and is quite possibly their most accomplished work yet. Not wanting to replicate any of what 'La Revancha...' had originally achieved musically, Philippe, Christoph and Eduardo subsequently flew back to Paris two weeks later to begin the second leg of work on 'Lunatico' – named, quite appropriately, after tango hero Carlos Gardel's champion racehorse of the 1930's.

Fellow collaborators; Argentine Bandoneonist, Nini Flores, and Barcelona-based vocalist, Cristina Vilallonga, joined up with them at their Substudioz back in the French capital and thus began the completion, hidden under top secrecy, of 'Lunático'.

With a decidedly stronger emphasis on the more organic roots of tango, almost to a classical level, 'Lunático' has taken one step backwards in order to move two steps forward in what not only the Gotan Project, but also many of Argentina's top tango musicians see as the progression of their beloved music's ever-evolving lifespan.

"Recording this album was a more natural process for us all," Philippe adds, "as we wanted to continue the tango experience and in ten years time hopefully we'll still feel the same."
(Copyright: Swax T. McIver, 2006)

Gotan Project - "Diferente"


Gotan Project - "Mi Confesion"


Gotan Project@Le Metropolis (Montreal, 28.10.06)

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2006/08/04
  The Grassy Knoll

Olhando para os lançamentos dos ultimos anos emergem, da minha colecção de CDs e dentro do denominado nu jazz, os trabalhos de Bugge Wesseltoft (New Conception of Jazz) e de Jason Swinscoe (The Cinematic Orchestra).

Mas, a aplicação do género nu jazz, bastante generalista, talvez tenha começado por outras etiquetagens, durante a década de 90, nomeadamente o acid jazz, com a corrente britânica mais orientada para a soul (Brand New Heavies e Incognito) e a corrente americana mais orientada para o hip-hop (Jazzmatazz de Guru e US3), o jazz electrónico (London Electricity e Ben Neill, fusão com o drum'n'bass) e o ainda mais generalista jazz de fusão.

Não discutindo a diferença entre estes e outros géneros de jazz de fusão e as evoluções de alguns actuais projectos de nu jazz, considero que muitos beberam influencias dos trabalhos da década de 90 do projecto, do americano Bob Green, The Grassy Knoll.

Em 1998, os The Grassy Knoll editaram o album "III" que, não sendo considerado pela crítica como seu o melhor trabalho é, para mim, o que considero mais aproximado à actual filosofia e sonoridade do nu jazz.

Tendo como base as excelentes secções ritmica (baterias, percursões e programações) e sopros (flauta, trompete e saxofones), as mais valias deste trabalho são as secções de teclas, que recorrem aos tradicionais fender rhodes e hammond c3 e acrescentam ainda a utilização do mellotron, do juno 60 e do oberhein ob-8 (tudo a fazer lembrar os grandes trabalhos de Miles Davis do final da década de 70), e de cordas, com a utilização de violino, violoncelo e guitarra.

Sendo um trabalho vincadamente colectivo onde todos os performers encaixam na perfeição, destacam-se os solos das secções de sopros e cordas. Destaco ainda o tema de abertura "A beaten dog beneath the hail" e o maravilhoso "Every third thought", a fazer lembrar os ultimos trabalhos de Bugge.

Apesar de ter alguns anos, este trabalho continua com um som cada vez mais actual...

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Conceito

Verão. Nascer do Sol. Tempo refrescante.
Momentos suaves. Beleza sossegada.
Tardes preguiçosas. Brisa suave ao Pôr-do-sol.
Noites sensuais.
Enfim, o lado bom da vida…

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